Agir e reagir

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Pense em quantas vezes você já planejou uma forma de agir e, na hora H, comportou-se de uma maneira completamente diferente. Por exemplo, Mariana soube algo sobre seu namorado que a aborreceu. Mas ela, racionalmente, resolveu não criar caso e planejou: Quando ele chegar, vou ser atenciosa, carinhosa, e não vou me irritar com ele. Ao invés, ao vê-lo, ela não aguentou e “soltou os cachorros”. Seus afetos a traíram, foi difícil, ou talvez até impossível, contê-los. Sua mãe, quando soube do acontecido, disse:

– Você precisa aprender a lidar com sua afetividade.

O que é afetividade?

A palavra afetividade forma-se por duas palavras unidas: afeto e atividade. Partindo delas, percebe-se que afeto vem de afetar, atingir.

Somos afetados diariamente por inúmeros acontecimentos e estímulos, que vêm de dentro, como dores corporais e preocupações, e estímulos externos captados pelos nossos sentidos, belos como a natureza, ou terríveis como as guerras, que são fatos que nos afetam a partir de fora.

Podemos, então, dizer que, a todo momento, estamos sendo afetados por inúmeros acontecimentos, ao nos relacionarmos com as pessoas, sentir o sabor dos alimentos, escutar notícias… Os afetos por nós recebidos influenciam a maneira como enxergamos a vida; é a vida afetiva que dá cor, brilho e valor a todas as vivências humanas. Sem afeto a vida não tem cor, é vazia, sem graça.

E o que será que atividade tem a ver com afetividade? Essa é uma pergunta chave e de grande relevância, pois é a afetividade que nos impulsiona a uma atividade, a uma ação. Muitas vezes, andamos tão distraídos que não percebemos os sentimentos que estão nos conduzindo a uma determinada ação.

A maioria das nossas atividades e ações é originada pelos nossos afetos, dentre os quais estão as emoções, os sentimentos e o próprio ânimo. Até mesmo o nosso estudo pode ser afetado por nossos afetos: assimilamos melhor as disciplinas de que gostamos, ou aquelas que nos são ministradas por professores com quem nos simpatizamos. Se não nos agrada o jeito de um cantor, qualquer música, por melhor que seja, não vai nos dar prazer.

Os sentimentos ou afetos extremamente intensos são chamados paixões. As paixões pelo bem são virtudes. As paixões para o mal são vícios.

Quando começamos a compreender o que é afetividade, descobrimos dentro de cada um de nós um mundo novo, repleto de emoções, sentimentos, que a auto-observação permite ver. Há pessoas que têm real dificuldade de identificar os seus sentimentos, de perceber o que está acontecendo dentro do seu mundo interior, o que, consequentemente, gera muita confusão, levando a viver sem direção, como que perdidas em alto mar…

Em nossa cultura o coração simboliza os sentimentos, e é através do discernimento destes que percebemos a vontade de Deus para nossa vida. Em Romanos 12,2, Paulo nos diz: “Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito“.

Os afetos nos estimulam a agir ou não agir em vista do que é percebido como bom ou como mau. Os sentimentos não são bons ou maus em si mesmos: são bons quando contribuem para uma boa ação; são maus quando nos levam a praticar más ações” (Compêndio Catecismo, 370,371).

Isso mesmo! São os afetos que nos movem e isso quer dizer que, muitas vezes, fazemos coisas de que nos arrependemos porque fomos movidos por um sentimento desolador, como a raiva, a tristeza… Tais sentimentos podem nos levar a tomar decisões que prejudicam a nós mesmo e aos outros. Nesse caso, o nosso “afeto” (= a raiva) pode nos provocar uma “atividade” negativa ( = a violência). Por outro lado, o amor cultivado em nós ( = afeto) nos capacita a realizar obras de caridade ( = atividade).

A atividade é, então, o afeto em ação, em movimento, em atividade. Está sob minha responsabilidade utilizá-la para o bem ou para o mal.

Por isto, é muito importante identificar os sentimentos e aprender a conhecer os nossos afetos, para ouvir conselhos ou agir somente quando movidos por sentimentos confortantes: “O que o Espírito traz é […]: amor, alegria, paz, paciência, gentileza, bondade, confiança, delicadeza e controle de si” (Gl 5,22-23).

Educando nossas reações diante do que nos agrada ou desagrada podemos evitar desentendimentos, palavras grosseiras, explosão de gestos incovenientes, que vão afastar os outros  e criar desafetos.

Há momentos em que nossa consciência não permite que fiquemos calados. Há certas injustiças que nos deixam indignados e é preciso expressar esse sentimento. Nossa indignação, porém, dirige-se sempre ao pecado e não ao pecador.

A razão, a consciência e a oração podem educar os afetos para aquilo que é bom, que permite viver conforme o projeto de felicidade de Deus para nós e para os irmãos.

Extraído de: Subsídios Afetividade e Sexualidade; Volume 1; Capítulo 8.      topo da página

Author: Pascom

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