Ser fiel! O que se ganha?

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O despertador tocou cedo. Roberto levantou-se rápido, a casa estava toda em silêncio. Era domingo. Todos ainda dormiam. O dia amanheceu chuvoso. As nuvens mais pesadas no horizonte anunciavam que vinha chuva muito forte. Mesmo assim, Roberto vestiu-se, tomou seu café e saiu.

Tinha prometido aos colegas que iria ajudá-los com a matemática. A prova estava marcada para segunda-feira. Chegando ao local combinado, encontrou apenas três amigos:

– E os outros, não vêm?

– Pois é, Roberto, você que não precisa estudar, foi fiel,veio conforme o combinado; os outros, que estão precisando de sua ajuda como nós, ficaram com medo da chuva…

Coisa semelhante já aconteceu com muitos de nós. Por que algumas pessoas são fieis e outras não? O que motiva alguém a ser fiel e a manter a palavra dada?

O desejo de fidelidade está no coração do ser humano e nos entristecemos quando somos passados para trás. Ninguém gosta de ser enganado, esquecido, traído. Quem aceita ver seu namorado ou namorada com outra pessoa? Que esposo ou esposa consegue perdoar facilmente uma traição? Quem fica tranquilo diante do calote do amigo que prometeu pagar a dívida contraída na confiança?

A fidelidade supõe amor. Somos fieis na medida em que amamos ou nos sentimos amados e valorizados. Antes de exigir que as pessoas sejam fieis a nós devemos nos questionar se estamos sendo fieis a elas: valorizando-as, respeitando-as, amando-as de verdade!

A fidelidade gera confiança e segurança. “Hoje promete-se muito e cumpre-se pouco. Isso produz insegurança e desconfiança” (Grün). Quem é fiel impõe respeito e é mais acolhido. Somos valorizados na medida em que os outros percebem esforço de nossa parte para o cumprimento de responsabilidades; quando os outros notam que não brincamos com coisas sérias.

No mundo do trabalho, no relacionamento de amizade, nas questões afetivas, a fidelidade é um componente essencial que nos conduz à alegria; ela produz felicidade. Sentimo-nos à vontade quando estamos cercados de pessoas com quem podemos contar e em quem podemos confiar.

A fidelidade tem um preço, mas compensa; ela é exigente, mas nos eleva como seres humanos e nos garante verdadeiras amizades. Quem é fiel transmite confiança e dá segurança no relacionamento.

Infelizmente, nem todos valorizam esta virtude. Em alguns meios chega-se ao cúmulo de exaltar os que são infiéis. Certamente estas pessoas constroem castelos sobre a areia!

A fidelidade é um aprendizado. Tudo se aprende, desde os mais simples hábitos. A vida é um constante aprender. Assim como aprendemos a lavar o rosto ao acordar, a dar bom dia, a olhar para os lados ao atravessar a rua, aprendemos também a ser fieis, desde as pequenas coisas e na vida inteira.

Para a fidelidade se faz necessário o exercício constante da verdade, da sinceridade, do respeito, do compromisso. Exercitamos a fidelidade na medida em que nos empenhamos para cumprir com a palavra que demos. Nem sempre estamos com vontade de assumir aquilo que prometemos, mas, quando nos lembramos do valor das pessoas que contam conosco, nos esforçamos e até nos sacrificamos em vista do bem que a minha fidelidade possa gerar aos outros. Quem não exercita a fidelidade, vai se tornando mentiroso: para os outros, para Deus e para si mesmo. Ninguém gosta de conviver com os mentirosos!

Quem não é fiel no namoro, provavelmente não será fiel no casamento e nos compromissos familiares. A infidelidade e sua “amiga”, a mentira, vão se tornando vícios e, por isso, difíceis de serem combatidos, caso a gente não esteja atento desde a juventude.

Assim como eu gostaria que os outros cumprissem a palavra dada a mim, também eu devo cumprir a minha palavra e só devo dar minha palavra depois de pensar bem se o que prometi ou o que vou prometer é bom para mim, para a humanidade e diante de Deus.

A fidelidade é um sinal de coragem e prudência. Coragem porque quem é fiel tem força para vencer a preguiça de ficar acomodado, vencer o egoísmo e o orgulho que fazem pensar mais em si mesmo do que nos outros, e tantos outros hábitos que nos empurram para o mal. Também é um sinal de prudência, porque consideramos que entre um bem passageiro e a felicidade completa, escolhemos o melhor, procuramos ser fiéis à felicidade que Deus planejou para cada um de nós.

Ninguém é fiel por acaso… Costumamos dizer que o cachorro é um amigo fiel. Ele é assim por instinto, a sua natureza o obriga a ser assim. O ser humano é diferente. Ele não é obrigado a ser bom. Deus o fez livre e a liberdade humana é determinada pela própria inteligência da pessoa. É a inteligência que permite à pessoa consultar sua consciência e distinguir entre o que é bom e o que é mau. É a inteligência ou razão humana que permitem escolher entre o bem e o mal. É ela que manda na nossa vontade. Se formos razoavelmente inteligentes, vamos sempre buscar o bem verdadeiro, porque essa é a nossa natureza.

Tudo o que fizermos, de bom ou de mau, trás consequências não só para nós, mas para todos. Isso nos faz responsáveis por estar sempre atentos ao que fazemos. Assim como uma pequena pedra jogada da montanha pode causar uma avalanche destruidora, ter bons hábitos é o primeiro passo para evitar uma avalanche de maldades. Além disso, os bons hábitos de uns ensinam os outros também.

O bem verdadeiro, assim como o amor, não satisfaz apenas aos desejos egoístas de alguém. O bem verdadeiro sempre produz bem para muitas pessoas, porque vivemos em sociedade. Somos todos membros de uma família, membros de um clube, cidadãos de uma pátria. Enfim. somos todos filhos de Deus, integrantes da mesma humanidade.

Todo nosso empenho de fidelidade e a certeza de sua vitória encontram fundamentação e motivação em Deus. Desde a Criação, ele vem provando fidelidade à sua criatura.

Eu vos tomarei como meu povo e serei o vosso Deus” (Ex 6,7); “Este é o nosso Deus, esperamos nele, até que nos salvou; este é o Senhor, nele temos confiado…” (Is 25,9); “Que o próprio Deus da paz vos santifique totalmente… Aquele que vos chamou é fiel” (1Ts 5,23-24). “Deus é fiel; por ele fostes chamados à comunhão com seu Filho” (1Cor 1,7b-9).

A fidelidade do amor e do cuidado de Deus para com o seu povo chegou ao auge com a vida, morte e ressurreição de seu Filho Jesus Cristo. Deus, encarnado em nosso meio, foi fiel ao compromisso de viver nossa história e sofrer toda as consequências de nossa humanidade – menos o pecado – para provar o seu amor sem limites por nós. Ele foi fiel à missão de salvar a humanidade. E essa fidelidade lhe custou a vida: foi crucificado.

Às vezes não somos capazes de manter plenamente a fidelidade, mas Deus é sempre fiel e envia seus dons para que cada vez mais tenhamos força para fazer o bem. “Saiba, portanto, que o Senhor seu Deus é o único Deus, o Deus fiel, que mantém a aliança e o amor por mil gerações, em favor dos que o amam e observam seus mandamentos” (Dt 7,9). A fidelidade de Deus para com a gente nos motiva a sermos fieis uns aos outros.

Toda a bondade vem de Deus, é ação do Espírito Santo em nós para que cada que cada vez nos aproximemos mais do ideal  de perfeição que Deus deseja para seus filhos. Desde que somos filhos de Deus pelo Batismo, tornamo-nos morada do Espírito Santo (1Cor 6,19) e prometemos fidelidade a Deus. É por isso que os cristãos são chamados de “fiéis” e devem agir conforme a fé professam.

O patrão disse: Muito bem, empregado bom e fiel! Como você foi fiel na administração de tão pouco, eu lhe confiarei muito mais. Venha participar da minha alegria” (Mt 25,21).

O homem fiel fala sempre com sabedoria” (Eclo 27,11).

Para nos mantermos fieis é preciso obedecer a voz de Deus que fala em nossa consciência, que deve ser educada pela sua Palavra, ajudada pelos conselhos de pessoas confiáveis e sustentada pela oração.

A consciência do cristão segue três normas gerais: jamais é permitido fazer o mal para que dele provenha um bem; cumprir a chamada regra de ouro: “Tudo aquilo que quereis que os homens façam a vos, fazei-o vós mesmos a eles” (Mt 7,12); a caridade passa sempre pelo respeito do próximo e da sua consciência.

Extraído de: Subsídios Afetividade e Sexualidade; Volume 1; Capítulo 6.      topo da página

Author: Pastoral da Comunicação

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