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Tiago foi a supermercado de bicicleta. Queria apenas comprar chiclete. Havia pouca gente fazendo compras e calculou que rapidamente estaria de volta. Deixou a bicicleta na porta do supermercado e correu para escolher sua marca preferida. Passou no caixa, pagou e quando chegou na porta teve uma desagradável surpresa: sua bicicleta tinha sido roubada.

Procurou o segurança para informar o roubo e saber se ele tinha visto o ladrão. O segurança respondeu:

– Olha moço, os jovens se vestem todos do mesmo jeito, eu vi alguém saindo com ela, mas não sei dizer quem era. Foi uma imprudência deixar a bicicleta sem cadeado!

No trânsito, no trabalho, em casa ou na escola frequentemente cometemos pequenas imprudências, que têm consequências mais ou menos graves. Mas esses acidentes de poucas proporções são experiências que nos levam a refletir sobre o sentido de uma virtude: a prudência.

Prudência é a qualidade de quem age com moderação, comedimento, buscando evitar tudo o que acredita ser fonte de erro ou de dano. Cautela, preocupação, ponderação, sensatez“. É a definição do Dicionário Aurélio.

Para Platão, prudência é a virtude racional que nos mostra as consequências de nossos atos.

Assim o Compêndio do Catecismo define prudência: “Prudência é a qualidade de quem age com moderação, comedimento, buscando evitar tudo o que acredita ser fonte de erro ou de dano. Cautela, precaução, […] ponderação […] sensatez“.

Tanto na definição do Dicionário quanto na do filósofo e na do Compêndio há referência a uma ação, a uma qualidade de quem conhece a verdade e age conforme a razão.

Ela é uma das principais virtudes, porque nos ajuda a evitar muitas atitudes impensadas que podem causar danos. A prudência diz respeito a razão humana, faz a pessoa pensar antes de agir, antes de tomar uma decisão. Diante de uma situação, avaliamos os efeitos de cada caminho que podemos seguir, quais os caminhos que levam a um bom resultado, uma alegria, e quais aqueles que oferecem perigo e podem resultar num desgosto.

Quando a situação é menos importante e diz respeito a coisas de pouco significado para nossa vida, pensamos em decidir logo, porque sabemos que uma outra atitude fará pouca diferença. Se vamos escolher a capa de um caderno, nossa decisão não vai afetar muito o nosso estudo, porque mais importante do que a capa é a qualidade do caderno e o que vamos escrever nele. Se decidimos cortar a barba ou o cabelo. também não corremos grande risco de sofrer por uma má escolha do tipo de corte, porque logo eles crescem. Nessas coisas, podemos fazer “aventuras”, arriscar com mais liberdade…

Mas há situações que envolvem nossa vida toda , nossa felicidade e escolhas que, necessariamente, deverão ser feitas (ver Temas 2 e 3). Nesses casos, além de pensar um poucos mais, convém conversar com pessoas mais experientes e confiáveis. Como cristãos procuramos fazer este discernimento através da oração, do pedido de auxílio ao Espírito Santo. Além do mais, o ser humano que conhece o Deus revelado por Jesus Cristo não quer ser feliz apenas até a morte, porque acredita na ressurreição, quer uma eternidade feliz (Mt 19,16).

A decisão que tomamos com relação ao vestibular que vamos prestar, diz respeito, pelo menos aos próximos quatro ou cinco anos de nossa vida , se pensarmos apenas no tempo de estudo. Mas a coisa se complica se pensarmos na profissão que iremos abraçar para uma vida toda e depender dela para o nosso sustento. Mais sério ainda do que isso é a decisão pelo estado de vida: a nossa vocação fundamental. Se nossa consciência nos diz que devemos responder a um chamado de Deus para a vida religiosa ou sacerdotal, há um longo tempo de discernimento, cerca de oito anos, até que possamos dar um sim definitivo. Se o chamado é para o casamento, devemos pensar em diversos aspectos: quando, como, com quem.

O casamento é uma das decisões mais importantes da vida de uma pessoa, porque é para sempre. Não é nada prudente casar só porque os amigos estão casando; casar para se sentir mais livre ou mais seguro; casar para viver com alguém que é a cara de uma artista de sucesso; casar para fazer festa ou usar uma roupa linda; casar para ter um momento de “glória”… Tudo isso são questões secundárias, que não trazem a felicidade para sempre. São interesses que passam e não garantem a fidelidade do casamento que é uma união indissolúvel baseada em amor verdadeiro, uma entrega da pessoa toda por toda a vida, “até que a morte os separe”.

A prudência me diz, então, que, para um casamento feliz, se faz necessário um namoro sadio e cristão, que valorize e respeite a vida do outro: sentimentos, pensamento, corpo, etc. A prudência deve fazer parte do namoro!

Nos relacionamentos em geral (namoro, amizade, trabalho, trânsito, diversão, escola, família, mídia), não é sensato agir por impulso, sem pensar, sem avaliar as consequências, sem prudência, pondo a perder todo o futuro por um nada no presente. Nossos atos têm sempre consequências e, algumas delas, são capazes de prejudicar toda a nossa vida.

Quando alguma ação ou decisão coloca em risco a vida , a saúde, a juventude e a felicidade, é aí que precisamos ouvir a voz da consciência , a voz de Deus que nos fala ao coração e através de pessoas maduras e serena que ele coloca em nosso caminho.

A cada momento, o jovem pode se perguntar: “Bom Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?” (Lc 18,18-23). A nossa consciência, iluminada por Deus, irá logo dizer o que devemos e o que não devemos fazer. “Tudo posso, mas nem tudo me convém” (1Cor 10,23).

Isso é ser prudente!

Por isso, o cristão deve sempre se deixar guiar pela prudência, em todos os seus atos, deve consultar sua consciência e a cada dia perguntar se está construindo um eternidade feliz, com Deus, e segundo o caminho de felicidade que ele propõe.

Para nós, cristãos, a prudência é a ação ou postura que assumimos, segundo o Evangelho, em benefício da vida. Pelo exercício da razão e da oração vamos nos determinando na escolha do bem e recusa do mal e do pecado que destroem a vida e os valores que a dignificam.

Jesus nos adverte: “Sede prudentes como a serpente” (Mt 10,16); “Quem ouve minhas palavras e as põe em prática é como um homem sensato (prudente!), que construiu sua casa sobre a rocha” (Mt 7,24); “Se alguém de vocês quer construir uma torre, será que não vai primeiro sentar-se e calcular os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar?… Se um rei pretende sair para guerrear contra outro, será que não vai sentar-se primeiro e examinar bem, se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil?” (Lc 14, 28-33).

Extraído de: Subsídios Afetividade e Sexualidade; Volume 1; Capítulo 5.     topo da página

Author: Pascom

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