Confiar é possível?!

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Carol chegou muito triste na escola. Depois de economizar sua mesada durante um ano, tinha investido tudo na compra de uma máquina fotográfica. Fez a compra pela internet, mas não teve o cuidado de investigar se o local da compra era confiável. Perdeu o dinheiro e não recebeu a máquina. Agora só tinha a esperança de recuperar o valor confiando sua causa aos advogados do Procon.

É próprio da juventude o gosto pela aventura. Pensando bem, desde os primeiros passos que damos em nossa vida, estamos entrando numa aventura, correndo o risco de cair; mas quem não vence o medo de caminhar , nunca vai correr. Tudo o que se faz pela primeira vez gera insegurança, porque o que é desconhecido provoca medo: medo de dar um passo, medo de andar de bicicleta, medo de encontrar uma turma nova no primeiro dia de aula, medo do vestibular… Cada etapa de nossa vida tem suas inseguranças particulares.

Quando a aventura da vida de uma criança é protegida pelo amor dos pais, dos irmãos, ela se sente segura segura para arriscar, porque confia nas orientações que lhe são dadas. Dois braços abertos esperando a criança dar dois passinhos para receber um beijo; uma mão forte no banco da bicicleta, um olhar amigo, uma conversa sincera, geram confiança e fazem avançar.

Se, por um lado, temos consciência dos riscos e agimos com prudência, por outro lado a vida nos impulsiona a conhecer coisas novas, a fazer novas experiências, a testar os limites da nossa liberdade. As nossas decisões em busca da felicidade nos colocam como numa gangorra. De um lado está a confiança, de outro a prudência. É preciso ousar e confiar, mas sem a prudência corremos sérios riscos e comprometemos a vida. É preciso discernimento.

É nossa inteligência que avalia em que altura estão a confiança e a prudência, conforme a ação que vamos praticar. O ser humano é um eterno aprendiz e aprender a viver é processo que acontece na vida inteira. O primeiro lugar onde aprendemos alguma coisa é na família, depois na escola, com os amigos e na igreja.

Se nós não confiássemos nos outros seria impossível viver. Confiamos na pureza da água que bebemos, na qualidade do pão que compramos, na indicação do médico, nas notícias dos jornais, na pessoa que nos oferece carona.

Um dos sinais de maturidade da pessoa é a sua capacidade de perceber quem pode ser confiável e para quê. Não vamos perguntar a um engenheiro qual o melhor remédio para dor de ouvido… Não vamos confiar num produto baseados apenas na propaganda feita pelo vendedor… É a inteligência – que nos foi dada por Deus – que diz até que ponto pode-se confiar em alguém e a respeito de quê. É essa a ideia que está por trás das palavras de Jesus quando fez esta comparação: “Pode acaso um cego guiar outro cego? Não cairão ambos no buraco?” (Lc 6,39). Jesus nos alerta sobre em quem confiar na vida.

Nas nossas relações humanas, entre amigos e colegas, devemos ter o cuidado de conhecer bem as pessoas antes de pedir a elas conselhos, opiniões sobre as questões que nos preocupam. Se temos dúvidas a respeito de qualquer decisão a tomar, o melhor é escolher pessoas confiáveis que nos orientem com segurança, por seu conhecimento, sua experiência, seu testemunho, por seu compromisso com a verdade. Muitas vezes estas pessoas estão bem mais próximas do que pensamos: professores, pais, catequistas, sacerdotes, religiosos(as), lideranças da comunidade.

Assim podemos ir formando uma corrente com estes elos: o amor, a prudência, a liberdade e a confiança; que estão ligados entre si pela inteligência, por que é ela quem vai dar uma resposta verdadeira a respeito de cada um desses elos. Sabedoria é saber pôr em prática a inteligência diante dos desafios da vida: é preciso saber viver. Por isso, a quem vamos perguntar o que é o amor verdadeiro, o que é a verdadeira liberdade, o que é a verdadeira felicidade? A Sagrada Escritura nos revela Deus que confia no seu povo e pede que confie nele para ter vida plena, ser feliz. Jesus confiou nos doze apóstolos e esta confiança os encorajou e os capacitou na construção da Igreja e divulgação do Evangelho. Um dos dons do Espírito Santo é a sabedoria. Aproveitemos disso!

Bendito o homem que confia no Senhor, e no Senhor deposita a sua segurança. Ele será como a árvore plantada à beira d’água e que solta raízes em direção ao rio. Não teme quando vem o calor, e suas folhas estão sempre verdes; no ano da seca, não se perturba, e não para de dar frutos” (Jr 17,7-8).

O Papa João Paulo II, em uma de suas encíclicas (Fides et Ratio, 38), definiu o homem como aquele que busca a verdade. Reconhecemos que o amor de Deus por nós é verdadeiro porque Jesus morreu na cruz por nós e ressuscitou. Os fatos dão credibilidade a suas promessas. Portanto, podemos confiar totalmente nele!

Pela nossa fé, temos certeza de que Jesus promete e cumpre, só fala a verdade, ele é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6). Assim sendo, é sinal de sabedoria acolhê-lo companheiro de viagem, amigo constante. Entre tantos caminhos, ele é “o” Caminho! Entre tantos anúncios de verdade, ele é “a” Verdade! Entre tantos projetos de vida, ele é “a” Vida por excelência!

Em quem estamos colocando a nossa confiança? “Senhor, só tu tens palavras de vida eterna!” (Jo 6,68).

Extraído de: Subsídios Afetividade e Sexualidade; Volume 1; Capítulo 4.     topo da página

Author: Pascom

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