Estar ou ser feliz?

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Som extremamente alto, ritmo alucinante, spots de luz forte, veículos em alta velocidade, ruído de copos, garrafas e latinhas de bebida. Essas realidades compõem bem um cenário em que se reúnem muitos de nós, jovens de diversas idades, em locais considerados pontos de diversão. Ali e desse modo tentamos encontrar momentos de felicidade ou de distanciamento de problemas reais, conflitos familiares, desemprego, dificuldades escolares, falta de afeto…

Tudo isso pode nos fazer sentir que estamos felizes.

Mas será que “estar” feliz é o mesmo que “ser” feliz?

 No mundo de hoje, em que somos bombardeados por notícias contraditórias – umas de muita violência e sofrimento e outras de grande fantasia e ilusão – é quase impossível encontrar tempo para refletir. Tudo acontece muito rápido, como nos noticiários e na internet. O prazer e o sofrimento, a alegria e a dor se revezam a cada minuto, sem que se discutam suas causas e a relação entre eles. Somos envolvidos em um turbilhão de fatos que que sucedem, sem pensar no que eles significam para nossa vida.

Ora, o ser humano, além da capacidade de amar, caracteriza-se por sua liberdade e inteligência. Se entramos numa “onda” sem querer ou sem pensar, estamos deixando de ser humanos, porque nossos atos não estariam sendo fruto de nossa decisão livre nem nosso raciocínio.

O amor de Deus fez dos seres humanos pessoas à sua imagem e semelhança, com um corpo de carne e osso, animou-nos com um sopro divino que nos faz desejar a felicidade, o bem. No coração de todo ser humano existe a vontade de ser feliz. Deus, ao nos criar, colocou esta semente, este dom em nossos sonhos. Saber que foi Deus quem colocou em nós essa vontade de sermos felizes deve nos dar a certeza de que felicidade não é um prazer passageiro, uma fuga da realidade, uma distração para esquecer os problemas, momento passageiro.  E porque vem de Deus temos também a certeza de que este objetivo é possível de ser alcançado. “O desejo e Deus está inscrito no coração do homem, já que o homem é criado por Deus e para Deus; e Deus não cessa de atrair o homem a si, e somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade que não cessa de procurar” (Catecismo, 27). Passamos a vida buscando a felicidade e nem sempre lembramos que ela não existe pronta nas coisas, nos momentos, nas pessoas. Ser feliz é viver a vida segundo os olhares, os desejos, as inspirações do Criador. A felicidade é construída durante a vida toda, e isso só é possível a partir de nossas opções, valores, renúncias, discernimento.

Nas coisas do dia a dia, vamos aprendendo os caminhos que nos levam a atingir nossos objetivos como melhor resultado: se estamos com sede, bebemos água e não comemos sal; se estamos atrasados, andamos mais ligeiro e não deitamos na rede; se queremos passar no vestibular, estudamos com afinco e não perdemos tempo com leituras inúteis; se queremos chegar ao último andar do prédio, pegamos o elevador que sobe e não o que desce. Isso nos parece muito simples, muito lógico. Sabendo a meta a atingir, fazemos o que é necessário.

Será que sabemos qual é a finalidade do ser humano? O que é a felicidade? O que nos faz chegar à verdadeira felicidade? “Felizes os corações puros… felizes os pacíficos…” (Mt 5, 8-9); “felizes os que crêem” (Jo 20,29)

Essas afirmações de Jesus nos ajudam a descobrir que Deus quer a nossa felicidade; ela é possível e é resultado dos nossos próprios atos. Os atos humanos resultam de decisão da vontade, depois de uma reflexão racional, que chamamos discernimento. Por isso, antes de correr em busca da felicidade é preciso pensar, questionar-se sobre as consequências dessa busca, aonde ela nos leva. Nem sempre o que chamamos de felicidade, o é realmente. Os efeitos de uns minutos de prazer serão bons, serão duradouros, farão de nós pessoas melhores? A felicidade que encontramos está conforme aquela que Deus planejou para nós?

… a verdadeira felicidade não está nas riquezas ou no bem estar, nem na glória humana ou no poder, nem em qualquer obra humana por mais útil que seja, como as ciências, a técnica e as artes nem em outra criatura qualquer, mas apenas em Deus, fonte de todo bem e de todo amor” (Catecismo, 1723).

A vida é um dom precioso de Deus, não convém que nós deixemos que ela corra riscos, seja ameaçada, desvalorizada, diminuída, destruída. Para quem crê no amor de Deus e na salvação que ele nos trouxe por Jesus, a vida não é só um tempo passageiro. A morte e a ressurreição de Jesus nos trouxeram a possibilidade de uma vida imortal, de eternidade e, por isso, de felicidade. E eternidade é vida com Deus para sempre. Portanto, a eternidade em Deus é nossa motivação principal de felicidade que já se inicia neste mundo. É poder participar da festa permanente e da alegria sem limites de viver com Deus, por uma decisão que tomamos aqui e agora. Seria uma loucura desprezar a certeza da felicidade eterna que Deus nos promete, trocando-a por uns momentos de prazer e uma falsa alegria passageira. A inteligência que Deus nos deu nos leva a escolher o melhor.

Por isso, para sermos verdadeiramente humanos, conforme Deus nos criou, é preciso ter coragem de se perguntar antes de agir: o que vou fazer me aproxima de Deus? A minha atitude resultará num bem verdadeiro para mim e para os outros? O meu comportamento é digno de uma criatura feita à imagem e semelhança de Deus?

Se pudermos sempre responder afirmativamente a essas perguntas, será possível responder também: sim, é possível ser feliz nos dias de hoje e em qualquer tempo porque Deus assim o quer e nos capacita.

“Conheço meu projetos sobre vocês – oráculos do Senhor – são projetos de felicidade e não de sofrimento, para dar-lhes um futuro e uma esperança” (Jr 29,11).

Deus, autor da vida, é autor da felicidade que a embeleza, mas, somente com Ele, ela pode ser purificada e orientada para não se tornar simples busca egoísta de prazer. A verdadeira felicidade pensa nos outros, não prejudica ninguém, é ética e contribui com o aperfeiçoamento da humanidade. A felicidade vinda de Deus se espalha e contagia a todos num desejo coletivo de bem comum.

Da parte de Deus, a nossa felicidade é garantida e, inclusive, ele está constantemente contribuindo para isso. Agora só depende de nossa abertura de coração para acolher, no dia a dia, esta sua vontade de nos ver felizes. A felicidade não existe pronta! O que existem são pessoas que decidem ser felizes e que, com a graça de Deus e o empenho pessoal, escolhem o que ajuda a vida e renunciam a tudo aquilo que a prejudica.

Extraído de: Subsídios Afetividade e Sexualidade; Volume 1; Capítulo 2.     topo da página

Author: Pascom

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