Vida: O maior dom

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As férias tinham chegado ao fim. No carro todos estavam um pouco desanimados, já com saudades dos dias maravilhosos que tinham passado juntos, fora da agitação da cidade. De repente, logo depois de uma acentuada curva, um aglomerado de pessoas e muitos carros indicam que há um acidente logo à frente. Acabara de acontecer. Uma manobra desastrada tinha feito uma moto “voar” sobre uns arbustos e espatifar-se fora da pista. O susto dá lugar à alegria: o jovem condutor da moto levanta-se do chão. Os curiosos gritam:

– Está vivo!

Todos se alegram e batem palmas. Os amigos se abraçam.

– Graças a Deus está vivo!

O fato de alguém escapar da morte ou depois de uma grave doença produz tanta alegria quanto a de uma criança que nasce. Também as primeiras flores de uma roseira, um pintinho que começa a quebrar a casca do ovo, a surpresa dos gatinhos nascidos na madrugada são motivos de alegria para todos: crianças, jovens, adultos e idosos. Por que será?

Está na consciência de cada ser humano que a vida é um bem, uma alegria e precisa de cuidados para produzir tudo a que foi chamada a ser. A vida é sagrada! No íntimo, sabemos que é dom de Deus o fato de termos nascido e estarmos vivos. Só Deus pode dar a vida e mostrar os melhores caminhos para a sua realização. É Ele que nos chama à vida e cuida de cada criatura com amor, como uma mãe cuida de seu filhinho (Is 49, 15; 66, 12-13) e como um bom pai que escuta e atende ao pedido de seus filhos (Mt 7, 11). Deus é o primeiro interessado em nossa vida e em nosso bem. Jesus nasceu para nos dar a vida e deu a vida dele morrendo na cruz para que nós tenhamos vida e vida plena (Jo 10, 10).

Desde as suas mais remotas origens, o dever de respeitar a vida é reconhecido pela humanidade , como que gravado no coração de cada um. Está no centro dos dez mandamentos dados a Moisés (Ex 20, 13). Não há no mundo cultura que não busque respeitar a vida. Na nossa cultura, profundamente marcada pelo cristianismo, o respeito à vida ganha ainda uma dimensão maior. Não se trata apenas de respeitar a própria vida, mas também a vida dos outros, conhecidos ou não. Para o cristão, todo ser humano é seu próximo (cf. LC 10, 25-37). Como cristãos, comprometemo-nos a defender a vida de todos, principalmente a dos mais pobres, marginalizados, sofredores, perseguidos, desprezados.

A resposta que devemos dar a Deus por ter recebido tão grande dom, que só ele poderia conceder, é realizar este encargo. Deus criou tudo o que existe e nos deu a tarefa de cuidar de tudo o que foi criado (cf. Gn 1,26; 2,15.19-20). Esta confiança de Deus também é prova de seu amor por nós e do valor que a vida tem. Cabe a cada um de nós, portanto, defender, promover, venerar e amar a vida, em todas as circunstâncias, e a de todas as pessoas.

Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos” (1Jo 3,14).

É lei de liberdade, alegria e felicidade“, nos diz João Paulo II (Evangelium Vitae).

Por isso, é preciso conhecer a verdade sobre a vida. Por ser dom de Deus, tem como princípio fundamental a dignidade de toda a criação, toda a natureza criada é sinal do amor de Deus. Vem daí o valor de preservar o ambiente, de promover a consciência ecológica, de não degradar a natureza, seja água, ar ou pedra, seja planta ou animal.

É indiscutível o valor da vida humana. O ser humano não é apenas uma criatura de Deus como as demais, animadas e inanimadas da natureza. A pessoa humana é feita à imagem e semelhança de Deus e, por isso, está acima das outras criaturas; e cada pessoa tem igual dignidade, seja qual for sua idade, raça, sexo, cultura, religião. Santo Irineu chegou a dizer: “A glória de Deus é a vida do homem“.

O homem é o cume da criação visível, porquanto é criado à imagem e semelhança de Deus. Existe entre as coisas criadas um interdependência e uma hierarquia queridas por Deus. Ao mesmo tempo, existe uma unidade e solidariedade entre as criaturas, pois todas têm o mesmo criador, são por ele amadas e estão ordenadas à sua glória. Respeitar as leis inscritas na criação e as relações que derivam da natureza das coisas é, portanto, princípio de sabedoria e fundamento da moral” (Compêndio do Catecismo, 63 e 64).

Só o Senhor é autor e dono da vida, e o ser humano, sua imagem vivente, é sempre sagrado, desde sua concepção, em todas as etapas da existência, até sua morte natural e depois da morte” (Doc. Aparecida, 388).

Considerando que Deus nos fez criaturas situadas no tempo e no espaço, a pessoa está limitada a essas circunstâncias enquanto está no mundo. E isso não pode ser ignorado na nossa convivência social. Sabemos que não vivemos sozinhos. O ser humano é um ser dependente e, por isso, social. Desde que nasce. depende dos outros e essa dependência implica direitos e deveres que podem mudar conforme as circunstâncias, mas que, necessariamente, devem obedecer aos fundamentos da verdade da vida criada por Deus.

É por isso que, tendo igual dignidade, nem todas as pessoas têm os mesmos deveres. Uma criança não tem os mesmos deveres de um adulto, as leis civis de um país nem sempre são as mesmas de outro. As leis de cem anos atrás não são as mesmas de hoje. Há um dinamismo que vai se aperfeiçoando no decorrer do tempo. O ser humano é o mesmo, a dignidade é a mesma, mas a compreensão da verdade a seu respeito vai progredindo para que, cada vez mais, o ser humano chegue a perfeição para a qual Deus o chama.

Ninguém tem o direito de determinar quando a vida começa ou termina. As ciências – dom de Deus para a humanidade – foram chamadas por Deus a servir a vida e não para manipulá-la sem limites. Jamais a ciência poderia ser usada e defendida para manipular, escravizar, explorar, abortar, matar, gerar desigualdades sociais entre os seres humanos.

Os dez mandamentos foram deixados por Deus para, unicamente, preservar a vida, elevá-la, defendê-la. “Não matarás” (Ex 20,13; Gn 9,5-6) diz explicitamente o quinto mandamento e bem sabemos que se refere a todos os tipos de morte e violência contra a obra-prima de Deus: a vida de seus filhos (cf. Mt 5,21-22).

A ciência e a tecnologia não tem as respostas às grandes interrogações da vida humana. A resposta última às questões fundamentais do homem só pode vir de uma razão e ética integrais, iluminadas pela revelação de Deus” (Doc. Aparecida, 123).

Deus nos chama para viver o amor e assim alcançar o amor perfeito que é ele próprio. Vivendo o amor nesta vida limitada, chegaremos à vida plena, que é a eterna felicidade. Não temos dúvidas de que somente em Jesus Cristo podemos encontrar o verdadeiro caminho para a vida : “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6); “Eu sou o pão da vida” (Jo 6,35); “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jo 11,25).

Viver bem é valorizar e defender a vida: a minha, a sua, a de todos nós!

Extraído de: Subsídios Afetividade e Sexualidade; Volume 1; Capítulo 1.     topo da página

Author: Pascom

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